Luz para a inteligência, Calor para a vontade

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"Por que os odiamos" (Revista do Estado Islâmico)

(Tradução para o inglês por Sam Harris, e do inglês para o português pelo blog Bule Voador)

dabiq 4

O que segue é a tradução de uma declaração, ostensivamente bem articulada, da última edição da revista oficial do Estado Islâmico, Dabiq, sobre as motivações para a sua violência. Como se pode ver abaixo, segundo eles, as mesmas são explicitamente teológicas. Lê-la é importante tanto como um exercício de empatia (de ver o mundo pelos olhos deles) quanto como um modo de fazer cair a ficha sobre algo que muitos negam incessantemente: Que a crença religiosa é um motivador potente da violência islamista (quem deseja impor o Islã à sociedade) jihadista (quem deseja fazê-lo por meios violentos). Esta é a articulação deles das suas próprias motivações. Embora o fenômeno da confabulação (e vários outros) na psicologia demonstre que podemos estar radicalmente errados sobre por que fazemos o que fazemos, quando os relatos de alguém sobre suas motivações explicam muito bem o seu comportamento, enquanto outras explicações chamadas de “mais profundas” não tanto, isso ao menos é boa evidência para os negadores considerarem que eles sejam sinceros no que dizem.

Pouco depois do abençoado ataque a uma boate cruzada sodomita pelo mujahid Omar Mateen, políticos americanos foram rápidos em pular para as luzes dos holofotes e denunciar o tiroteio, declarando-o um crime de ódio, um ato de terrorismo e um ato de violência sem sentido. Um crime de ódio? Sim. Os muçulmanos sem dúvida odeiam os sodomitas liberalistas, assim como qualquer outra pessoa com um pingo de fitrah (natureza humana inata) ainda intacta odiaria. Um ato de terrorismo? Com certeza absoluta. Os muçulmanos foram ordenados a terrorizar os inimigos descrentes de Alá. Mas um ato de violência sem sentido? Pensar-se-ia que o ocidental mediano, a esta altura, teria abandonado a afirmação batida de que as ações dos muhajidin — que declararam repetidamente seus objetivos, intenções e motivações — não fazem sentido. A não ser que você verdadeira — e ingenuamente — creia que os crimes do Ocidente contra o Islã e os muçulmanos, seja insultar o Profeta, queimar o Corão, ou travar guerra contra o Califado, não provocarão uma retaliação brutal dos muhajidin, você sabe muito bem que ataques como os executados por Omar Mateen, Larossi Aballa e muitos outros antes e depois deles em vingança pelo Islã e os muçulmanos fazem completo sentido. A única coisa sem sentido seria não haver nenhuma retaliação violenta e feroz em primeiro lugar!
Muitos ocidentais, no entanto, já estão cientes de que afirmar que os ataques dos muhajidin são sem sentido e questionar incessantemente por que odiamos o Ocidente e por que os combatemos nada mais é que uma encenação política e uma ferramenta de propaganda. Os políticos o dirão independentemente do quanto contraria os fatos e o bom senso só para acumular tantos votos quanto puderem para o próximo ciclo de eleição. Os analistas e jornalistas o dirão a fim de não se tornarem um alvo por dizerem algo que as massas julgam “politicamente incorreto”. Os “imames” apóstatas no Ocidente aderirão ao mesmo cliché batido para evitar uma reação das sociedades descrentes em que escolheram residir. O negócio é que as pessoas sabem que é tolice, mas continuam repetindo mesmo assim porque estão com medo das consequências de desviarem do roteiro.
Há exceções entre os descrentes, sem dúvida, pessoas que declararão sem pudor que a Jihad e a lei da Shari´ah — assim como tudo o mais julgado tabu pela multidão do Islã-é-uma-religião-pacífica — são de fato completamente islâmicos, mas eles tendem a ser pessoas com muito menos credibilidade que são pintadas como uma margem social, daí suas vozes são ignoradas e um amplo segmento das massas ignorantes continua a crer na narrativa falsa. Desse modo, torna-se importante para nós esclarecer ao Ocidente em termos inequívocos — novamente — por que os odiamos e por que os combatemos.
1. Odiamos vocês, antes de mais nada, porque você são descrentes; vocês rejeitam a unidade de Alá — quer se deem conta disso ou não – por fazerem-Lhe parceiros em adoração, vocês blasfemam contra Ele, por afirmarem que Ele tem um filho, vocês fabricam mentiras contra os Seus profetas e mensageiros e se entregam a todo tipo de práticas demoníacas. É por esta razão que nos foi mandado declarar abertamente nosso ódio por vocês e nossa inimizade por vocês. “Já houve para vocês um excelente exemplo em Abraão e aqueles com ele, quando disseram ao seu povo ‘Deveras, dissociamo-nos de vocês e de tudo que adoram que não Alá. Rejeitamos vocês e surgiu, entre nós e vocês, inimizade e ódio para sempre até que você creiam somente em Alá'” (Al-Mumtahanah 4). Ademais, assim como sua descrença é a razão principal pela qual os odiamos, sua descrença é a razão principal pela qual os combatemos, como nos foi mandado combater os descrentes até que eles se submetam à autoridade do Islã, seja por tornarem-se muçulmanos, seja por pagarem a jizyah — para aqueles com esta opção — e viverem em humilhação sob o governo dos muçulmanos. Assim, ainda que deixassem de nos combater, o melhor dos cenários para vocês num estado de guerra seria suspendermos nossos ataques contra vocês — se o julgássemos necessário — a fim de nos concentrarmos em ameaças mais próximas e imediatas, antes de por fim retomarmos nossas campanhas contra vocês. Além da opção de trégua temporária, este é o único cenário provável que lhes traria uma suspensão fugaz de nossos ataques. De modo que, no fim das contas, vocês não podem trazer uma suspensão indefinitiva a nossa guerra contra vocês. No máximo, poderíamos somente delongá-la temporariamente. “E combatam-nos até que não haja fitnah [paganismo] e [até que] a religião, toda ela, seja por Alá” (Al-Baqarah 193).
2. Odiamos vocês porque suas sociedades laicas liberais permitem exatamente as coisas que Alá proibiu ao mesmo tempo que banem muitas coisas que Ele permitiu, um problema que não os preocupa porque vocês separam a religião do estado, assim concedendo autoridade suprema a seus caprichos e desejos por meio dos legisladores em que votam para exercer poder. Ao fazê-lo, vocês desejam roubar de Alá o Seu direito de ser obedecido e desejam usurpar este direito para si próprios. “A legislação não é se não para Alá” (Ysuf 40). Seu liberalismo laico os levou a tolerar e até apoiar os “direitos dos gays”, a permitir que álcool, drogas, fornicação, jogatina e usura se tornassem generalizados e a encorajar as pessoas a zombar daqueles que denunciam estes pecados e vícios imundos. Desse modo, travamos guerra contra vocês para impedir que propaguem sua descrença e devassidão — seu secularismo e nacionalismo, seus valores liberais pervertidos, seu Cristianismo e ateísmo — e toda a depravação e corrupção que eles implicam. Vocês tornaram sua missão “libertar” as sociedades muçulmanas; tornamos nossa missão combater sua influência e proteger a humanidade de seus conceitos desencaminhados e seu modo de vida degenerado.
3. No caso da margem ateísta, odiamos vocês e travamos guerra contra vocês porque vocês descreem na existência do seu Senhor e Criador. Vocês testemunham a complexa composição das criaturas, e as espantosas e inexplicáveis leis físicas que governam o universo inteiro, mas insistem que tudo surgiu pelo acaso e que devemos ser criticados, escarnecidos e ostracizados por reconhecermos que os espantosos sinais que testemunhamos dia após dia são a criação de um Criador Sábio e Onisciente e não o resultado de uma ocorrência acidental. “Ou foram eles criados pelo nada, ou foram eles criadores [de si próprios]?” (Attur 35). Sua descrença em seu criador ainda os leva a negar o Dia do Juízo, afirmando que “só se vive uma vez“. “Aqueles que descreem afirmaram que nunca serão ressurretos. Digam ‘Sim, por meu Senhor, vocês certamente serão ressurretos; então certamente serão informados do que fizeram. E isso, para Alá, é fácil” (At-Taghabun 7).
4. Odiamos vocês pelos seus crimes contra o Islã e travamos guerra contra vocês para puni-los pelas suas transgressões contra nossa religião. Contanto que seus súditos continuem a escarnecer de nossa fé, insultar os profetas de Alá — incluindo Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé — queimar o Corão e abertamente vilificar as leis da Shari´ah, continuaremos a retaliar, não com slogans e cartazes, mas com balas e facas.
5. Odiamos vocês pelos seus crimes contra os muçulmanos; seus drones e caças bombardeiam, matam e mutilam nosso povo mundo afora, e seus fantoches nas terras usurpadas dos muçulmanos oprimem, torturam e travam guerra contra qualquer um que exija a verdade. Desse modo, combatemos vocês para os impedir de matar nossos homens, mulheres e crianças, para libertar os que vocês aprisionam e torturam e vingar-nos pelos incontáveis muçulmanos que sofreram como resultado de seus atos.
6. Odiamos vocês por invadirem nossas terra e os combatemos para repeli-los e afastá-los. Contanto que reste um centímetro de território para reivindicarmos, a jihad continuará a ser uma obrigação pessoal sobre todo muçulmano.
O que é importante para entender aqui é que, embora alguns possam argumentar que as suas políticas externas são a medida que move nosso ódio, esta razão particular para odiá-los é secundária, daí a razão pela qual a abordamos no fim da lista acima. O fato é que, ainda que vocês parassem de nos bombardear, nos aprisionar, nos torturar, nos vilificar e usurpar nossas terras, continuaríamos a odiá-los porque nossa razão principal para odiá-los não deixará de existir até que vocês adotem o Islã. Ainda que você pagassem a jizyah e vivessem sob a autoridade do Islã em humilhação, continuaríamos a odiá-los. Sem dúvida, deixaríamos de combatê-los então, assim como deixaríamos de combater quaisquer descrentes que entrem em convênio conosco, mas não deixaríamos de odiá-los.
O que é igualmente se não mais importante para entender é que combatemos vocês, não simplesmente para puni-los e detê-los, mas para trazer-lhes verdadeira liberdade nesta vida e salvação na Outra, liberdade de serem escravizados a seus caprichos e desejos assim como aos de seu clero e legislação, e salvação por adorar somente seu Criador e seguir seu mensageiro. Combatemos vocês a fim de tirá-los das trevas da descrença e trazê-los para a luz do Islã, e para libertá-los das restrições de viver só pela vida mundana de modo a desfrutarem tanto das bençãos da vida mundana como da beatitude da Outra.
O ponto da questão é que há sim uma razão para o nosso terrorismo, beligerância, crueldade e brutalidade. Por mais que algum jornalista liberal gostasse que vocês acreditassem que fazemos o que fazemos porque simplesmente somos monstros com nenhuma lógica por trás de nosso curso de ação, o fato é que continuamos a travar — e agravar — uma guerra calculada que o Ocidente pensou que acabou há vários anos. Continuamos a arrastar vocês mais e mais para dentro de um pântano de que vocês pensaram que já haviam escapado só para se darem conta de que estão atolados ainda mais fundo em suas águas turvas… E assim o fazemos enquanto lhes oferecemos uma saída em nossos termos. Então vocês podem continuar a crer que aqueles “terroristas desprezíveis” odeiam vocês por causa dos seus lattes e suas Timberlands, e continuar a gastar ridículas quantidades de dinheiro para tentar prevalecer numa guerra que não podem vencer, ou vocês podem aceitar a realidade e reconhecer que nunca deixaremos de odiá-los até que adotem o Islã, e nunca deixaremos de combatê-los até que estejam prontos para saírem do pântano da beligerância e do terrorismo pelas saídas que oferecemos, as próprias saídas propostas pelo nosso Senhor para os Povos da Escritura: Islã, jizyah ou — como um último meio de suspensão fugaz — uma trégua temporária.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Apresentação comentada de um teorema cinemático deduzido por Galileu

Autor: Vitor Oguri

Sobre o autor: Vitor Oguri é físico experimental de Altas Energias. Mestre em Física Aplicada (Universidade de Tóquio) e doutor em Física (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas -- CBPF), é professor adjunto e pesquisador do Instituto de Física da UERJ, além de autor e organizador de diversos livros na área.
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De acordo com a Mecânica Clássica, a velocidade média vm de um corpo que parte do repouso e se desloca em movimento retilíneo e uniformemente acelerado, durante um intervalo de tempo Δté igual à metade da velocidade final alcançada durante esse intervalo de tempo. Ou seja,
Uma vez que a velocidade média é definida como
(onde é a distância percorrida pelo corpo no intervalo de tempo Δt)a distância e a velocidade final estão relacionadas por
Essa seria a mesma distância percorrida por um corpo, no intervalo de tempo Δt, que se deslocasse em movimento retilíneo e uniforme com velocidade v/2.
Galileu1, em um fragmento de seu clássico texto, Discursos demonstrações matemáticas sobre duas novas ciências2, enuncia e deduz esse fato de modo equivalente, no seguinte teorema:
O tempo no qual um espaço é percorrido por um corpo que parte do repouso uniformemente acelerado é igual ao tempo no qual esse mesmo espaço seria percorrido pelo mesmo corpo com velocidade constante, de valor igual a metade do maior e último valor alcançado no movimento uniformemente acelerado.
Assim, se um corpo, inicialmente em repouso, é uniformemente acelerado e alcança uma velocidade de valor igual av, após percorrer uma distância d, o intervalo de tempo Δt gasto no percurso é dado por
Como essa equação é equivalente à equação 1, o teorema enunciado por Galileu expressa de outro modo o resultado cinemático apresentado no primeiro parágrafo deste texto.
Vejamos como Galileu, raciocinando por meio de grandezas físicas representadas por figuras geométricas, deduz o teorema. A figura completa do texto de Galileu para deduzir o teorema será decomposta e apresentada por partes, no decorrer dos comentários.
Representemos por meio do segmento de reta AB o intervalo de tempo durante o qual um corpo, partindo do repouso em C, percorrerá o espaço CD em movimento uniformemente acelerado; seja o final e maior valor da velocidade adquirido durante esse intervalo de tempo representado pelo segmento de reta EB, que forma um ângulo reto com AB; ...
Isto é, é a distância a ser percorrida, é o intervalo de tempo gasto no percurso e  é a velocidade final alcançada durante o intervalo Δt.
... traçado o segmento de reta AE, todos os segmentos de reta que partem de pontos eqüidistantes sobreAB e paralelos a BE, representarão os valores crescentes de velocidade a partir do instante A. ...
Por instante deve-se entender o instante de tempo em que o corpo começa a se movimentar.
De fato, como os triângulos formados pelos segmentos paralelos a EB e o vértice são semelhantes, a razão entre os catetos de cada triângulo é constante e representa a aceleração do corpo móvel, uma vez que no movimento uniformemente acelerado os acréscimos dos valores de velocidade são proporcionais aos respectivos intervalos de tempo, e a constante de proporcionalidade é a aceleração do móvel.
... Dividamos ao meio o segmento EB no ponto e tracemos FG paralelo a AB GA paralelo a FB, formando assim o paralelogramo AGFB, de área igual à do triângulo AEB, uma vez que o lado GF divide ao meio o lado AE no ponto I. ...

Assim, , e a área do triângulo AEB é igual à do paralelogramo AGFB.
... Se, por outro lado, prolongarmos os segmentos paralelos do triângulo AEB até IG, a soma dos comprimentos de todos os segmentos contidos no quadrilátero AGFB será igual à soma dos comprimentos daqueles contidos no triângulo AEB, visto que os segmentos do triângulo IEF são iguais àqueles contidos no triângulo AGI,  enquanto aqueles contidos no trapézio AIFB são comuns. Uma vez que todo instante do intervalo de tempo AB corresponde a um ponto do segmento AB, os  segmentos  paralelos traçados a partir desses pontos no interior do triângulo AEB representam os valores crescentes da velocidade, enquanto os segmentos contidos no paralelogramo AGFB representam os valores de velocidade que não crescem, mas que se mantêm constantes; é evidente que a soma dos valores de velocidade, no caso do movimento acelerado, é representada pela soma dos segmentos crescentes do triângulo AEB, enquanto, no caso do movimento uniforme, é representada pela soma dos segmentos paralelos do paralelogramoAGFB. Com efeito, os valores de velocidade que faltam na primeira metade do movimento acelerado (aqueles que são representados pelos segmentos do triângulo AGI) são compensados por aqueles representados pelos segmentos do triângulo IEF. ...

Seja no paralelogramo, que representa um movimento uniforme, ou no triângulo, que representa um movimento uniformemente acelerado, dividir o lado que representa o intervalo de tempo Δt do percurso em um grande número de pequenos segmentos iguais (que representam pequenos intervalos de tempo), em seguida, somar os correspondentes segmentos que representam os valores de velocidade em cada pequeno intervalo, e multiplicar o resultado (soma) pelo valor de cada pequeno intervalo de tempo, obtém-se as distâncias totais percorridas pelo corpo no intervalo de tempo Δt. Ou seja, as áreas das figuras geométricas (paralelogramo e triângulo) correspondem às distâncias percorridas pelo corpo nos respectivos movimentos.
Como a área do paralelogramo AGFB, que representa a distância (d) percorrida por um corpo em movimento retilíneo e uniforme com velocidade constante de valor igual a , durante um intervalo de tempo é igual a área do triângulo AEB, que corresponde à distância (d) percorrida por um corpo em movimento retilíneo uniformemente acelerado, a partir do repouso, durante o mesmo intervalo de tempo Δt,
pode-se concluir, como Galileu, que:
... Portanto, é evidente que espaços iguais serão percorridos em tempos iguais por dois corpos, um dos quais, partindo do repouso, desloca-se com movimento uniformemente acelerado, enquanto o outro, em movimento uniforme, desloca-se com  valor de velocidade igual à metade do valor máximo de velocidade atingido pelo primeiro.
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Notas:
1  
Nascido em Pisa, Itália, em 1564, Galileu Galilei é considerado o fundador da ciência moderna.
2 Discorsi e dimostrazioni matematiche intorni à due nuove scienze attenenti alla mecanica ed i movimenti locali, publicado em 1638 pelo editor holandês Luis Elsevier. O texto de Galileu, conhecido também simplesmente como Duas Novas Ciências, foi escrito na forma de diálogos entre três personagens, dois dos quais (Salviati e seu amigo Sagredo) refletem o ponto de vista de Galileu, e um terceiro (Simplício), as idéias de Aristóteles sobre o movimento dos corpos. As duas ciências referem-se, respectivamente, aos estudos da resistência e do movimento dos corpos sólidos. O texto aqui utilizado foi extraído da tradução em lingua inglesa de H. Crew e A. de Salvio, Dover (1954).

sábado, 20 de agosto de 2016

A tradição turca de assassinar cristãos

- Artigo de Robert Jones
Andrea Santoro (esquerda), padre de 61 anos, e o bispo Luigi Padovese, 63 anos, (direita):
ambos assassinados, como muitos outros cristãos, na Turquia 

Em 26 de julho, a cidade de Saint-Étienne-du-Rouvray localizada no norte da França presenciou um terrívelataque islamista: dois terroristas do Estado Islâmico (ISIS) assassinaram o padre Jacques Hamel de 85 anos, em sua igreja durante a missa. Duas freiras e dois fiéis foram tomados como reféns.
De acordo com uma freira que escapou do ataque, os terroristas que juraram lealdade ao ISIS, aos gritos de "Allahu Akbar", cortaram a garganta do padre e gravaram o ato sangrento em vídeo.
Ataques islamistas dessa natureza podem ser novidade nos países da UE, mas não na Turquia. Durante décadas um número assombroso de inocentes, cristãos indefesos na Turquia, foram massacrados por agressores muçulmanos.
Os cristãos na Turquia continuam a ser atacados, assassinados e ameaçados diariamente; os agressores normalmente acabam se safando de seus crimes.
Em 18 de abril de 2007 em Malatya, no massacre na Editora Zirve Bible, três funcionários cristãos foram atacados, brutalmente torturados, tiveram suas mãos e pés amarrados e suas gargantas cortadas por cinco muçulmanos.
Nove anos se passaram e a justiça ainda não foi feita no que tange às famílias dos três homens assassinados de forma tão hedionda.
Primeiramente os cinco suspeitos que ainda estavam detidos foram soltos da prisão de segurança máxima por um tribunal turco, que deliberou que a detenção excedeu os recém adotados limites legais.
O julgamento ainda está em curso. O promotor alega que o ato "não foi um ato terrorista porque os autores não tinham um vínculo hierárquico, o ato não foi contínuo e as facas que eles usaram no massacre não eram tecnicamente adequadas para caracterizar o ato como um ato terrorista."
Se o tribunal aceitar o parecer jurídico do procurador, ele poderá abrir caminho para a absolvição. No entanto, dado os muitos acórdãos "misteriosos" do sistema judiciário turco para absolver criminosos, esses assassinos também poderão ser absolvidos, a qualquer momento, por uma decisão "surpresa".
Ironicamente o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan afirmou em março que é necessário redefinir o terrorismo para incluir aqueles que apoiam esses atos, acrescentando que eles podem ser jornalistas, legisladores e ativistas. Não há diferença, ressaltou ele, entre "um terrorista com uma arma na mão, uma bomba ou aqueles que usam sua posição e a caneta com o objetivo de atingir as metas" dos terroristas.
Em um país onde as autoridades são tão francas no tocante à "sensitividade" quando se trata de "terrorismo" e de "pessoas com armas na mão", por que então os assassinos de cristãos não estão atrás das grades e por que o promotor está tentando retratar os assassinatos de cristãos como "atos não terroristas"?
Lamentavelmente os três cristãos em Malatya não foram os primeiros nem os últimos cristãos a serem assassinados na Turquia.
Em 5 de fevereiro de 2006, o Padre Andrea Santoro, um padre católico romano de 61 anos, foi assassinado na Igreja de Santa Maria, na província de Trabzon. Ele foi alvejado quando estava ajoelhado orando em sua igreja. Testemunhas ouviram o assassino de 16 anos gritar "Allahu Akbar" ("Deus é Grande") quando do assassinato.
Depois do assassinato, o Padre Pierre François René Brunissen, um padre de 74 anos de idade de Samsun, rezou a missa seguinte na igreja de Santoro, que mal contava com doze fiéis. Pelo fato de ninguém se oferecer para substituir Santoro, o Padre Pierre foi incumbido a viajar de Samsun à Trabzon todos os meses a fim de cuidar da pequena congregação da cidade.
"É um episódio terrível," ressaltou o Padre Pierre. "É pecado matar uma pessoa. Depois de todos esses episódios, temo pela minha vida neste lugar."
Em julho de 2006 ele foi esfaqueado e ferido por um muçulmano em Samsun. O criminoso de 53 anos de idade disse que esfaqueou o padre por se opor às "suas atividades missionárias"."[1]
Os ataques contra a cultura cristã em Anatólia continuam nos tempos modernos -- mesmo depois da Turquia ter ingressado no Conselho da Europa em 1949 e na OTAN em 1952.
Incontáveis acordos entre a Turquia e organizações ocidentais parecem não ter reduzido o ódio aos cristãos. Em março de 2007, quando a comunidade cristã de Mersin estava se preparando para a Páscoa, um jovem muçulmano com um espeto de kebab (espetinho de carne) entrou na igreja e atacou os padres Roberto Ferrari e Henry Leylek.
Mersin, localizada no sul da Turquia, cidade natal de Tarso, local do nascimento do apóstolo Paulo, onde se encontram as primeiras igrejas da era cristã.
À medida que as raízes cristãs em Anatólia foram enfraquecendo, também foram enfraquecendo seus vínculos com a civilização ocidental. "O ataque contra o padre é um indicador de que Ancara não está preparada para ingressar na União Europeia," segundo enfatizou o cardeal e teólogo Walter Kasper ao jornal italiano Corriere della Sera. "Há certos elementos de tolerância, mas não há liberdade verdadeira. A Turquia precisa mudar muitas coisas. Não se trata de mudar as leis. Se faz necessário a mudança de mentalidade. Não é possível mudar a mentalidade em um dia."
O Bispo Luigi Padovese, Vigário Apostólico de Anatólia, salientou: "não nos sentimos seguros. Estou muito preocupado. O fanatismo está crescendo em determinados grupos. Há elementos querendo envenenar o clima e os alvos são os padres católicos. Filmes que retratam negativamente os missionários são transmitidos pelas redes de TV."
Em uma cerimônia comemorativa em homenagem ao Padre Santoro realizada em fevereiro, o Bispo Padovese ressaltou:
"Hoje fazemos a mesma pergunta que fazíamos há quatro anos: por que? Nós também fazemos a mesma pergunta em nome de todas as outras vítimas tão injustamente assassinadas, mesmo sendo inocentes. Por que? O que é que eles tentavam destruir ao assassinarem o Padre Andrea? Tratava-se apenas de uma pessoa ou o que essa pessoa representava? O objetivo em assassinar a tiros o Padre Andrea não é outro senão abrir fogo contra um clérigo católico. O fato dele ser padre foi o motivo de seu martírio
"A mensagem de Cristo na Cruz é clara. 'Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Se soubessem, não o fariam.' É errado pensar que só porque uma pessoa discorda de nós, está equivocada e merece ser morta. Este é o fundamentalismo que destrói uma sociedade. Porque destrói a coexistência. Este fundamentalismo -- independentemente da religião ou visão política a qual pertence -- pode vencer algumas batalhas, mas está fadado a perder a guerra. É isto que a história nos ensina. Espero que esta cidade e que este país se tornarão um lugar onde as pessoas possam viver como irmãos e irmãs e se unirem para o bem comum de todos. Será que o Alá de todos nós não é o mesmo?"
Não, lamentavelmente, o Alá de todos nós não é o mesmo.
Somente quatro meses depois, em junho de 2010, foi a vez de Padovese ser assassinado. Desta vez, o assassino foi o próprio motorista do bispo nos últimos quatro anos. Primeiramente o motorista esfaqueou o bispo, em seguida cortou sua garganta enquanto gritava "Allahu Akbar" durante o ataque.
No julgamento, o motorista afirmou que o bispo era um "Masih ad-Dajjal" ("falso messias") e na sequência citou em voz alta duas vezes, dentro do tribunal, a adhan (chamada Islâmica para a reza).
No território onde os cristãos outrora prosperaram e até faziam conversões para o cristianismo, agora é motivo de sérios problemas.
"Cristãos recentemente convertidos, provenientes de famílias muçulmanas, são muitas vezes isolados e condenados ao ostracismo," assinala Carnes. "Turgay Ucal, um pastor de uma igreja independente em Istambul, que se converteu do Islã para o cristianismo realçou: "budismo tudo bem, mas cristianismo não. Há um histórico."
Faz parte deste histórico a maneira pela qual cristãos autóctones da Anatólia foram massacrados pelos muçulmanos. [2]
população da Turquia perfaz aproximadamente 80 milhões de habitantes; devotos de religiões não muçulmanas — principalmente cristãos e judeus — compõem somente 0,2%. Mesmo assim o sentimento anticristão ainda predomina em uma parcela significativa da sociedade turca. [3]
Ao que tudo indica há uma praxe: assassinatos de cristãos são cometidos furtivamente na Turquia: são "pessoas comuns" que matam ou atacam cristãos, depois o judiciário ou o sistema político, de alguma forma, encontra uma maneira de permitir que os assassinos ou agressores se safem sem que sejam responsabilizados pelos seus atos. Lamentavelmente a maioria desses crimes não aparece na mídia internacional e a Turquia nunca é responsabilizada.
A Turquia, no entanto, assinou o acordo de União Aduaneira com a União Europeia em 1995, sendo oficialmente reconhecida como candidata a membro com plenos direitos em 1999. As negociações para a adesão da Turquia à UE ainda estão em andamento.
Como é possível uma nação que assassinou ou atacou tantos cristãos ao longo da história e sequer se retratou por estes crimes é ainda considerada qualificada a ser candidata a membro da UE? Por conta da ameaça de chantagear a Europa com uma avalanche de muçulmanos? A Turquia vai inundar a Europa com muçulmanos de qualquer maneira. Há até um nome para isso: Hijrah, disseminar o Islã (jihad) através da emigração. É exatamente o mesmo que os muçulmanos têm feito na Turquia.
E que tipo de cultura e civilização os muçulmanos arquitetaram na maioria das vezes nas terras que eles conquistaram? Quando se observa a situação, tanto histórica quanto atual, em países de maioria muçulmana o que se vê é a predominância de assassinatos, ataques e ódio: ódio aos não muçulmanos, ódio às mulheres, ódio ao pensamento livre e um ódio extremamente profundo a tudo que não é islâmico. Muitos muçulmanos que mudaram para o Ocidente também têm procurado importar o Islã político para o mundo livre.
Regimes muçulmanos, incluindo a Turquia, não materializaram a democratização civilizada que permitiria a todos os seus cidadãos -- muçulmanos e não muçulmanos -- usufruírem de uma vida livre e segura.
Enquanto os muçulmanos podem praticar livremente a sua religião e expressar suas opiniões sobre outrasreligiões ou sobre o ateísmo em todo o mundo, os cristãos e demais não muçulmanos podem ser mortos na Turquia e em outros países de maioria muçulmana apenas por tentarem, pacificamente, praticar sua religião ou expressar abertamente suas opiniões.
"Multiculturalismo", apaixonadamente defendido por tantos liberais no Ocidente, poderia ter feito maravilhas em lugares multiétnicos e multirreligiosos como a Anatólia. Lamentavelmente a ideologia islâmica aceita apenas e tão somente uma cultura, uma religião e um modo de pensar que esteja de acordo com os seus princípios: os do Islã. Ironicamente, esta é a única verdade nua e crua que esses liberais não querem enxergar.
Grande parte da história do Islã mostra que a natureza da ideologia islâmica é a de invadir ou de se infiltrar e na sequência dominar os não muçulmanos.
Normalmente os muçulmanos não mostraram o mínimo interesse na coexistência pacífica com os não muçulmanos. Mesmo que a maioria dos muçulmanos não seja formada de jihadistas, ela não se manifesta contra eles. Consequentemente ela parece apoiar discretamente os jihadistas. O fato de haver muçulmanos pacíficos que respeitam outras religiões não muda em nada esse fato trágico.
É por isso que não muçulmanos no Ocidente têm todo o direito de temer que, um belo dia, eles também serão expostos ao mesmo tipo de tratamento nas mãos dos muçulmanos. O medo que não muçulmanos têm de ataques islâmicos é, baseado em fatos recentes, tanto racional quanto justificado.
Dada a maneira indescritível como os não muçulmanos são tratados em países de maioria muçulmana, incluindo a Turquia, quem pode censurá-los por estarem temerosos com a possível islamização de suas próprias sociedades livres?
Afinal por qual razão a Turquia que, ao que tudo indica, odeia os cristãos de seu país, deseja ter acesso com isenção de visto na União Europeia Cristã?

Notas:

[1] O cristianismo tem uma longa história em Samsun – assim como em todas as outras cidades da Anatólia. Chamada de Amisos em grego, foi um dos centros da milenar região grega Ponto e ajudou a difundir a influência cristã naquela região.
"Após 1914 as populações gregas e armênias foram diminuindo consideravelmente devido às marchas da morte organizadas pelos turcos e outros métodos utilizados por eles durante os genocídios grego e armênio," de acordo com o "Pontos World."
Décadas depois ataques contra cristãos ainda são lugar comum. Em dezembro de 2007, outro padre católico Adriano Franchini, 65, de Izmir, também foi esfaqueado e ferido durante a missa dominical por um muçulmano de 19 anos de idade.
Izmir, também chamada de Esmirna, era um território eclesiástico do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e uma das sete igrejas da Ásia, mencionada pelo apóstolo João no Livro do Apocalipse.
Durante o período otomano, Esmirna contava com uma das maiores populações gregas e armênias. Hoje há apenas uma minúscula minoria cristã na cidade. A devastação da cultura grega na cidade atingiu o ápice durante o que é comumente conhecido como a "catástrofe de Esmirna". O exército turco destruiu a cidade em 1922 após o Grande Incêndio de Esmirna. Soldados turcos assassinaram muitos civis não muçulmanos, incluindo dezenas de padres e bispos e forçaram um número incalculável de homens gregos a se juntarem aos batalhões de mão de obra. A maioria dos gregos da cidade fugiu de suas casas para procurar abrigo na Grécia e em outros países.
"O Grande Incêndio de Esmirna," escreve a autora Ioanna Zikakou, "foi o ápice da catástrofe da Ásia Menor, pondo fim a 3.000 anos de presença grega na costa do mar Egeu em Anatólia, alterando a proporção de população entre muçulmanos e não muçulmanos."
Segundo o jornalista Tony Carnes:
"Poucos países têm uma história cristã tão rica quanto a Turquia. A Turquia é o lugar onde Paulo fundou algumas das primeiras igrejas, incluindo a Igreja de Éfeso. Sete igrejas nesta região foram citadas no Livro do Apocalipse. Aqueles que viveram no início do movimento monástico encontram nas cavernas da Capadócia um lugar quase perfeito para viver uma vida de orações.
"Mas o cristianismo foi subjugado ao domínio islâmico na Turquia em 1453 declinando gradativamente durante séculos; os últimos 100 anos foram os piores. Em 1900 a população cristã somava 22% dos habitantes. Hoje a maioria dos especialistas estima que existam menos de 200.000 cristãos em todo o país, compreendendo menos de 0,3% da população."
Hoje, na Anatólia islamizada, os membros da minúscula minoria cristã são expostos a ataques diários verbais e físicos. Kamil Kiroglu nasceu e cresceu na Turquia como muçulmano. Aos 24 anos de idade ele se converteu ao cristianismo e trabalhou na igreja turca até 2009. Após a conversão ele foi rejeitado pela sua família.
Em 8 de janeiro de 2006, Kiroglu foi espancado por cinco jovens muçulmanos até ficar inconsciente.
Ele foi atacado logo depois da missa," assinala o estudioso John L. Allen Jr. em seu livro The Global War on Christians (A Guerra Global contra os Cristãos). "Kiroglu relatou mais tarde que um dos jovens, empunhando uma faca, havia gritado, 'negue Jesus ou eu te mato agora!' Outro ao que consta gritou: 'nós não queremos cristãos neste país!' Quando os agressores foram embora, eles disseram a um amigo de Kiroglu que haviam deixado um presente para ele. Era uma faca curvada de cerca de 90 cm, deixada para trás para servir de aviso contra qualquer atividade cristã."
"A Turquia pode até ser um estado oficialmente laico, mas sociologicamente é uma sociedade islâmica. Em geral a maior ameaça enfrentada pelos cristãos não vem de alinhamentos religiosamente ardentes ao Islã e sim de ultranacionalistas que veem os cristãos como agentes do Ocidente, que muitas vezes os acusam de estarem em conluio com os separatistas curdos."
Em 2009 Bartolomeu I de Constantinopla, Patriarca da Igreja Ortodoxa, ressaltou em uma entrevistaconcedida à rede CBS que os cristãos da Turquia eram cidadãos de segunda classe e que se sentia "crucificado" nas mãos das autoridades do estado turco.
[2] "A aniquilação dos povos não turcos/não muçulmanos da Anatólia começou em 24 de abril de 1915, com a prisão em Istambul de 250 intelectuais armênios," ressaltou o colunista Raffi Bedrosyan.
"Em questão de meses, 1,5 milhão de armênios tinha sido massacrado em sua pátria histórica de 4.000 anos no que é hoje a região oriental da Turquia, bem como nas regiões norte, sul, central e ocidental da Turquia. Na mesma época cerca de 250.000 assírios também foram massacrados no sudeste da Turquia. Depois foi a vez dos gregos pônticos de serem eliminados do norte da Turquia, na costa do Mar Negro, esporadicamente de 1916 em diante."
Orhan Picaklar, pastor da Igreja Agape Samsun, foi sequestrado e ameaçado pelos muçulmanos locais em 2007. Ele disse que também tentaram sequestrar, da escola, seu filho de 11 anos. Sua igreja tem sido inúmeras vezes apedrejada. Ahmet Guvener, pastor da Igreja Protestante de Diyarbakir, relatou que recebeu tantas ameaças que ele já estava a espera da morte: "darei uma procuração a um amigo meu. Se eu for morto, quero que ele cuide dos meus filhos."
[3] Consulte os relatórios anuais da Associação de Igrejas Evangélicas sobre violações de direitos contra os cristãos na Turquia.

Robert Jones
, especialista em Turquia, encontra-se atualmente radicado no Reino Unido.
Publicado no site do Gatestone Institute.
Tradução: Joseph Skilnik

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

7 perigos da pílula anticoncepcional

El drogadismo


- de Jorge Botella


La influencia de las drogas sobre la vida de las personas no es una cuestión contemporánea, sino que en muy diversas culturas y en tiempos muy distintos la relación con las drogas ha sido relevante. La afición hacia el alcohol, las hiervas, los vapores, se remonta tanto como la historia, y si su influencia negativa sobre la salud física y mental ha sido bien patente cabe preguntarse el por qué de su sugestión. 


Frente a las drogas convendría individualizar los dos sentidos de la afección: una, la que las drogas por sí ejercen sobre el organismo humano en virtud de la adicción que provocan; otra, aquella por la que la personalidad humana recurre al consuelo de las drogas. Las dos tienen una importancia por igual para justificar el consumo y del deterioro que generan sobre el organismo de quien recurre a su auxilio. El sentido más criticado por la sociedad es el que se orienta desde el poder de adicción del producto, lo que se ha venido a llamar drogadicción. El otro, el que contempla la disposición de la personalidad al consuelo de la droga está más relegado, quizá porque ha de abordarse desde la defectibilidad del ser humano para asumir su responsabilidad. Éste, a diferencia de aquél, es al que podremos llamar drogadismo. 

La vinculación del hombre a las drogas puede tener en su inicio un componente de ignorancia, sobre todo cuando la relación afecta a adolescentes, pero, dado que una gran parte del consumo se da entre la sociedad con una cultura asentada, habría que considerar que, el menos, una parte de esa ignorancia es tan vencible que habría que admitir sobre la misma una importante dosis de complicidad de la voluntad. No obstante admitir esa ignorancia como una deficiencia de los recursos de la personalidad frente a las drogas, no puede dejar de aceptarse que el consumo se generaliza sobre personas maduras y formadas cuya afición a las drogas se superpone al conocimiento de su poder destructivo. Por ello, sobre el drogadismo cabe especular en cuánto es causa del debilitamiento de la personalidad y en cuánto es consecuencia de la previa neutralización de la personalidad

La creatividad consustancial al ser humano le lleva a que su personalidad haya de asumir la responsabilidad de crear el propio mundo donde se sienta realizado. Esto se logra mediante el esfuerzo por el que se organizan los medios externos en orden a alcanzar objetivos que reporten la satisfacción existencial. La personalidad, que comprende el conjunto de actitudes de cada persona respecto a la vida, es la garante de la responsabilidad por la que se logran esos objetivos, pero cuando por la debilidad de la propia existencia no se platean objetivos sino que se vive a merced de los acontecimientos externos, o cuando por la dificultad de progresar hacia los objetivos creativos marcados se resiente la responsabilidad, esa flojera afecta a la personalidad de tal modo que ésta procura la evasión del conocimiento de todo cuanto pueda complicar su existencia. Esa negligencia es la que el sujeto tiende a paliar con el estímulo de las drogas a fin de que le distancien mentalmente de la carga de una realidad para la que no encuentra recursos con qué afrontarla. La irrealidad con que satisface la droga es lo que objetivamente se acostumbra a buscar cuando la personalidad se debilita porque no se siente capaz de enfrentar la realidad. 

Esa complicidad mental con el efecto material de la droga constituye un tándem cada vez más necesario, porque incluso en muchos casos el drogodependiente no se quiere así y se reincide en la droga como un huida hacia adelante a fin de escapar de la irresponsabilidad que se vincula a esa condición. 

Causas para el abatimiento de la personalidad y quebrar su conciencia de creativad hay tantas como relaciones establece el hombre con el entorno: familia, trabajo, posición social, salud, desenamoramientos, traiciones... pero a éstas se unen otras más subjetivas, pero no menos reales, como pueden ser la desafección al propio cuerpo, la razón de sí, la disocialización, la desmotivación moral... Todo ello hace que un sujeto no se quiera cómo es o en las circunstancias a las que la vida le ha conducido, y por ello estima que la droga le conferirá la seguridad que la quiebra de la responsabilidad le niega a su persona. 

Atajar el drogadismo es un de las grandes tareas de los profesionales de la psicología, mediante la detección precoz de la neutralización de la personalidad y la efectiva aplicación de una terapia regenerativa que rearme la responsabilidad para enfrentar los problemas que causan la desmoralización, por más que éstos sean arduos y complejos. El control del comercio de las drogas facilita sólo en parte una pequeña reducción de la tendencia al consumo, en función de la restricción que se logra al contacto, pero si no se ataja la causa última, que no está en la materia sino en las personas, es muy posible que lo que se consigue es una trasferencia de unas drogas a otras, según su disponibilidad, pero de uno y otro modo la drogadicción se perpetúan por un adicción que se desea como subterfugio de la realidad.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Toda la Historia del mundo (Barreau & Bigot) - obra completa



Toda la Historia del mundo

- De la prehistoria a la actualidad -

Jean-Claude Barreau & Guillaume Bigot

 Índice
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O admirável mundo nano

Nanociência: pesquisas e aplicações na área da saúde

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

El World Trade Center, la demografía y el futuro

(Continuação da obra "Toda la Historia del mundo", 
de Jean-Claude Barreau & Guillaume Bigot)


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El World Trade Center, la demografía y el futuro


En enero de 1991, la guerra de Kuwait fue un explosivo ejemplo de la hegemonía de Estados Unidos. No lo habrían podido hacer si hubiera existido la URSS, porque la Rusia soviética protegía a Irak. El Baas y Sadam Husein eran sus clientes.

Señalemos que Kuwait es una creación completamente artificial del imperialismo inglés (se trataba de cortar a Mesopotamia sus tradicionales accesos al mar). Sin embargo, invadir con armas un estado, aunque éste sea simulado, no es un procedimiento aceptable. Así que, la primera guerra del Golfo fue completamente legal (Francia participó en ella), con objetivos limitados. Se reconquistó Kuwait, el Baas iraquí se mantuvo en el poder. Bush padre había sido prudente. 

Antes de este acontecimiento, la toma del poder en Irán por parte de los mulás del ayatolá Jomeini había sido una buena advertencia. La Revolución iraní, con la ocupación de la Embajada de Estados Unidos, hizo tanto ruido en el mundo musulmán, como lo había hecho la Revolución francesa en el mundo ilustrado con la toma de la Bastilla... 

Por otra parte, el Irak de Sadam se había enfrentado en una encarnizada guerra contra el Irán de los mulás. Cuando Jomeini lanzó una fatwa contra el escritor Salman Rushdie, desafió a la modernidad. El marxismo quería superar 1789, el islamismo borrarlo. Pero Jomeini era persa, y su revolución tenía una base identificable: Irán. 

El atentado antiamericano del 11 de septiembre de 2001 es otra cosa completamente distinta. Fue un atentado muy real, aunque un ridículo libro pretendiera lo contrario. Se comparó con Pearl Harbor. Pero la comparación no es pertinente. Hay ciertas semejanzas: el número de muertos, la sorpresa, el shock. Pero, sesenta años antes, se trataba de una guerra entre estados; el agresor estaba localizable. Los japoneses querían aniquilar una marina militar, y no especialmente a civiles (de hecho, la mayoría de las víctimas fueron soldados). ¿Qué estado quiso hacer saltar por los aires las Torres Gemelas de Manhattan y el Pentágono? ¡Ninguno! Al Qaeda no es ni siquiera una organización centralizada. Es una nebulosa de grupos animados por el fanatismo... Al Qaeda tampoco desarrolla una auténtica guerra. La guerra persigue obtener resultados políticos. ¿Cuáles eran los objetivos de Al Qaeda? ¿Qué exigía Al Qaeda a Estados Unidos? Nada. 

El modo de operar nos dejó estupefactos: la destrucción de las torres del World Trade Center recuerda, sin llegar a confundirse, las películas de catástrofes de Hollywood. En 1994, los integristas musulmanes habían secuestrado un avión de Air France con el fin de lanzarlo sobre la Torre Eiffel. El golpe fracasó, puesto que tuvieron que confiar en los pilotos franceses para aterrizar el airbus en Marignane, donde el GIGN pudo asaltarlo. Los integristas dedujeron de aquello que debían formar pilotos. De hecho, los comandos que se apoderaron de los aviones americanos tomaron ellos mismos los mandos de los aparatos. Como anécdota para la historia, uno de los camicaces recibió su título de piloto —americano— después de haber muerto. 

Convertir aviones civiles (llenos de queroseno después de despegar) en bombas fue una idea perversa, pero eficaz. El calor desprendido por el incendio de las torres licuó su estructura metálica y provocó su derrumbamiento. El propio Bin Laden quedó sorprendido. Consiguió más de tres mil muertos y un efecto visual aterrador. Bin Laden, un buen comunicador, estaba satisfecho: el primer avión atrajo a las cámaras y todas las televisiones pudieron filmar cómodamente el segundo choque. Bin Laden, formado por los americanos, por muy integrista que sea, sigue siendo un hijo de la publicidad. 

El efecto económico y financiero fue enorme. El presidente Bush hijo tuvo que inyectar, en contra de los principios liberales, millones de dólares papel para salvar la economía americana. Los servicios de información se habían mostrado incompetentes. Gracias a sus satélites y ordenadores, escuchaban todas las comunicaciones del mundo. La CÍA sólo había olvidado que los conspiradores no llaman por teléfono (con la excepción de los nacionalistas corsos). La información, desde siempre, descansa en los «topos», agentes infiltrados en las filas enemigas. Pero la CÍA no los tenía. La excusa es que nadie hablaba persa (idioma que se habla en Kabul). 

Al contrario de lo que sucedió después de Pearl Harbor, el dragón americano golpeó en el vacío. Es verdad que ocupó legítimamente Afganistán (país en el que la CÍA, poco tiempo antes, apoyaba a los talibanes frente a los rusos). Pero, acto seguido, no supo qué hacer. La segunda guerra de Irak fue una trampa. Sadam Husein, dictador socialista y laico, se parece más a Stalin que a Bin Laden. Detestaba a los integristas y no tuvo contacto alguno con Al Qaeda antes del 11 de septiembre de 2001... Por otra parte, sólo disponía de un pequeño ejército desprovisto de «medios de destrucción masiva» y muy disminuido desde la aventura de Kuwait. 

La conquista de Irak por parte del ejército americano en 2003 fue una operación tan fuera de lugar que se podría llegar a pensar, casi en el delirio, que había sido programada por Al Qaeda. ¿Para quién fue provechosa? La destrucción de un régimen notoriamente ateo, el caos en Irak y la humillación (una vez más) de los musulmanes son las consecuencias más evidentes. Bin Laden debería felicitarse. 

La Francia del presidente Chirac no quiso participar en aquella locura que, sin embargo, aprobaron la mayoría de los países de la UE. Esto demuestra de manera sorprendente que la voluntad política reposa no en una burocracia desfasada, sino en la voluntad de las naciones. No basta con ser poderoso, hay que ser inteligente y estar motivado. Como dijo Woody Allen en una de sus películas: «¡Gracias a Dios que existe Francia!». 

Al Qaeda es un fenómeno inquietante: ¿una parte del islam ha cambiado reconvirtiéndose (el suicidio no es musulmán sino budista) en una ideología totalitaria? Por primera vez en siglos, se contesta a la modernidad (el Japón Meiji no había hecho más que imitarla). Al Qaeda tiende a las potencias la trampa de las guerras de religión.
¿Qué sucede con el estado del mundo después de esto?

Ahora hay que hablar un poco de demografía. Hemos indicado su importancia al observar, por ejemplo, las explosiones demográficas debidas a la revolución del neolítico y a la industrial, y el desclasamiento de Francia (la potencia europea con mayor número de población en 1815 y con menor en 1915). 

El estado «natural» de los pueblos es aquel en que se dan muchos niños por mujer (la demografía se ocupa de las mujeres) y mucha mortalidad en general. Éste fue el estado habitual hasta el siglo XIX. En el estado moderno de la demografía se cuentan pocos nacimientos por mujer, pero también una débil mortalidad. 

La medicina (a partir del momento en que se convierte en eficaz con Pasteur) casi ha suprimido la mortalidad infantil, produciendo un alargamiento de los medios que se confunde con el alargamiento de la vida individual. En 1700 era necesario que una mujer tuviera siete u ocho hijos para que sobrevivieran dos o tres. En la actualidad sólo hace falta tener dos o tres, porque (felizmente) los bebés apenas mueren. 

La medicina ha revolucionado el mundo más que la agricultura o la industria. Los médicos, que a menudo son grandes individualistas (juramento hipocrático), apenas son conscientes de ello. 

A este paso de un estado demográfico a otro se le llama «transición demográfica». Esta transición exige tres o cuatro generaciones, las mujeres no se dan cuenta de inmediato de que sus bebés ya no se mueren. Este desfase explica las «explosiones» demográficas. En el siglo XIX, Europa «explotó», expandiendo por el mundo decenas de millones de emigrantes. Luego hizo su «transición» hacia 1960. 

La historia demográfica de Francia fue singular. La «gran nación» efectuó su «transición» mucho antes que el resto de los países europeos, por culpa de —o gracias a— la «Gran Revolución», que provocó un profundo vuelco en las costumbres. En la actualidad, parece vacunada contra el maltusianismo. Siguen naciendo, más o menos, el mismo número de niños por mujer que durante el reinado de Luis Felipe. Paradójicamente, su tasa de fecundidad (1,90 niños por mujer) es mucho más alta que la de sus vecinos europeos (1,30) y próxima a la tasa de sustitución de las generaciones (con las condiciones de la medicina moderna, son necesarios 2,10 niños por mujer para sustituir las generaciones). La actitud, fuerte durante mucho tiempo, de integrar a la inmigración (comparable con la de Estados Unidos) contribuyó también a su relativa buena salud demográfica. 

La explosión demográfica fue a continuación la del Tercer Mundo. Las mujeres del Tercer Mundo no tuvieron más hijos que sus abuelas (como ellas, tenían siete u ocho). Pero no habían entendido que esos niños (gracias a los dispensarios) ya no morían. La Argelia musulmana ha pasado de este modo de dos millones de habitantes en 1830 a seis millones actualmente. 

La explosión demográfica es una «tarta de nata» mediática. Sin embargo, ha terminado. La «transición demográfica» está realizándose casi en todas partes. Ya lo hemos dicho, las ideas se extienden como las epidemias. Desde el año 2000, las mujeres del Tercer Mundo han caído en la cuenta. Saben que les basta con tener tres hijos. 

En estos momentos, la tasa de fecundidad de Argelia es comparable a la de Francia. Por supuesto, como los hombres se parecen a los árboles, existe una «inercia demográfica». Las mujeres argelinas han alineado su comportamiento al de las francesas, pero los millones de adolescentes nacidos antes de la transición corren por las calles. Dentro de veinte años se apreciará la transición argelina. 

La verdad es que la humanidad, hoy en día formada por seis mil millones de individuos, ya no sufre la amenaza de una explosión demográfica. Sólo en algunos países siguen naciendo muchos niños por ideología o con la esperanza de una «revancha de las cunas» (expresión inventada para explicar cómo los sesenta mil campesinos franceses abandonados en Canadá han podido convertirse en seis millones): los palestinos, los musulmanes y los judíos integristas también se vengan así. 

En conjunto —una verdad desconocida—, la humanidad no está amenazada por una explosión, sino por una implosión demográfica. Desde dos generaciones atrás, en China, Japón y la India tamil nacen pocos niños. Es el «envejecimiento», un eufemismo (a nuestra época bienpensante no le gusta llamar a las cosas por su nombre) con el que se designa a la disminución de los nacimientos. Esta disminución es terrible en Rusia, en donde probablemente se corresponda con una «desmoralización» consecuencia de la caída del comunismo. Pero también afecta de manera trágica a Europa (excepto a Francia): en Italia, en España, en Alemania, apenas nace un hijo por cada mujer. 

Así las cosas, la Unión Europea está amenazada por una desaparición física. La inmigración sólo puede suplir esta carencia de modo marginal. Porque existe una gran diferencia entre la «integración» de los recién llegados y la «sustitución» de una población por otra, la cual rompe la continuidad y compromete la transmisión cultural. En algunas zonas de los extrarradios de las ciudades se ha producido la sustitución de la población. Se pueden comprobar las consecuencias. Hace falta tiempo para la inserción, pero la rapidez de la implosión europea apenas se lo da. 

Y las cosas pueden ir peor porque cuanto más aluden los reaccionarios a los problemas de natalidad, más afirman los anglosajones que la intimidad de los hogares no concierne al Estado. Algo evidentemente falso: el nacimiento de un niño es un hecho social. Son los niños indígenas los que integran a los niños inmigrados. El eslogan de los yuppies americanos expresa la mentalidad de la época: DINK (Double income, no kids, «Doble sueldo, ausencia de niños»). Cuando estos inconscientes yuppies sean viejos, lo pagarán caro. Porque después del 11 de septiembre, no es seguro que los jóvenes inmigrados empujen sus sillas de ruedas. 

A pesar de estos interrogantes, el final anunciado de la explosión demográfica es más bien una buena noticia para la humanidad. Lo ideal sería que las poblaciones alcanzasen el «crecimiento cero» demográfico: la simple —pero segura— sustitución de las generaciones. Hay que recordar que este ideal exige que las mujeres acepten tener dos o tres hijos cada una. 

En la actualidad se habla más de ecología que de demografía. La ecología no es sólo una moda: es una toma de conciencia respecto a que los recursos de la Tierra no son inagotables y a que la humanidad influye — desde el neolítico— en el medio ambiente. La ineludible subida de los precios del barril de petróleo es, en este sentido, una buena noticia. Esta subida contribuirá más que los discursos a imponer un comportamiento ecológico.

Tras la demografía y la ecología, recordemos algunos hechos geopolíticos. China ha entrado de manera brutal en el período salvaje de la acumulación primitiva capitalista. Sus ciudades rebosan de torres de cristal. Se ha convertido en la fábrica del mundo. Necesita importar petróleo y acero. Es la era «Meiji» de China, pero mucho más caótica que lo fue en Japón. A la familia patriarcal china la ha sustituido la del hijo único, «pequeños emperadores» maleducados y caprichosos — increíble transformación de la tradición de Confucio —. 

La ciudad faro de Singapur muestra una modernidad china hiperactiva, pero conformista y triste, completamente aceptada por Pekín (al contrario que Taiwan). Porque el pasado sigue pesando en China: continúa siendo el Imperio del Medio, y todavía más en la actualidad, que el Gobierno de Pekín ha abandonado por completo los sueños universalistas de Mao Tse-tung, quien empujaba a los cooperantes chinos hacia África. 

La India también ha entrado en la modernidad como un elefante en una cacharrería, a través de la informática y de los servicios más que de la industria. Pero este desarrollo afecta esencialmente a la India tamil del Dekkán, cada vez más alejada del norte hinduista —con el riesgo de un nuevo estallido del subcontinente. 

Rusia, por su parte, se despeja con dificultad de los escombros de la URSS. Aceptó la secesión de Asia central y de Ucrania. Paradójicamente, se enfrenta en una cruel guerra con Chechenia. A propósito de esta guerra, hemos mencionado el petróleo, pero, reflexionando, quizá se trate de una crispación imperial comparable a la de Gran Bretaña cuando, en 1982, declaró la guerra a Argentina por la posesión del insignificante archipiélago de las Malvinas. 

El Cáucaso, en donde se unen iraníes, turcos, eslavos, armenios y georgianos, conservatorio de todas las etnias, zona de conflicto de todas las religiones, se ha convertido en una de las zonas grises del planeta. El formidable antiguo ejército rojo, descompuesto por completo, sólo consiguió acabar con el odioso secuestro de un colegio en Ossetia provocando una masacre el 3 de septiembre de 2004. 

Las poblaciones rusas desertan de las zonas boreales o siberianas en un gran éxodo hacia el sur. El abandono de las zonas rurales difíciles del planeta es, por otra parte, una realidad general y preocupante en el mundo entero.

Por lo demás, el futuro es imprevisible. Los que hacen previsiones siempre se equivocan; siempre sucede lo imprevisible. Según los distintos puntos de vista se puede confiar o temer. En primer lugar, confiar. El potencial de la ciencia es enorme. El «buen juicio de las naciones» puede prevalecer sobre la locura: así, los países musulmanes no explotaron después del 11 de septiembre de 2001. 

Pero también hay razones para temer el futuro. Las «zonas grises» se multiplican, la inseguridad aumenta. Incluso para construir ordenadores es necesario que subsistan zonas seguras en las que se pueda construir en paz. Las guerras de religión se reaniman. Más grave aún: en el corazón de la modernidad, el espíritu público desaparece. La decadencia nunca es ineludible si se mantiene el sentido del bien común. 

Una pregunta esencial para el futuro del mundo moderno: ¿encontrarán los países modernos su razón de existir? Porque cierta moda amenaza a los hombres de nuestras sociedades desarrolladas: «Al debilitarse entre ellos el sentimiento del bien común, al dispersarse las familias, al interrumpir la cadena de recuerdos, al incrementar de manera desmesurada las necesidades, se han convertido en menos civilizados de lo que eran». Tocqueville hablaba de la influencia nefasta de la modernidad en los indios...
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Nota

Este libro no incluye bibliografía de manera voluntaria. Las obras históricas son, en efecto, tan numerosas que su enumeración, aunque fuera sucinta, ocuparía más páginas que el propio libro. Los autores esperan que, presos de la curiosidad, los lectores vayan a comprar esas obras, generalmente reagrupadas por épocas, a las librerías. Tampoco hay índice onomástico, pues todos los nombres aparecen en las enciclopedias. También es voluntario el hecho de que este libro no incluya mapas. No es porque los autores desprecien la geografía, al contrario, sino porque serían necesarios centenares de mapas para ilustrar esta obra. Aunque existan pocos relatos cronológicos de la Historia del mundo, sí que hay excelentes atlas históricos y numerosos atlas universales (en su defecto, se puede consultar cualquier diccionario enciclopédico). Los autores ruegan a los lectores que si están interesados se dirijan a ellos.